positivonegativo

"nós somos o sítio que nos faz falta."

"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."


Álvaro de Campos

Domingo, 18 de Março de 2012

da revolta.

a minha mãe estava a dizer à minha irmã que os seus alunos de níveis negativo tiraram notas como suficiente mais nas provas de aferição, de tão fáceis que eram, e que foram os professores de português que pediram à professora que criou as provas para as fazer assim, porque "o meu aluno não sabe nada, faz provas fáceis, por favor", e ela fez. fiquei de tal modo chateada que lhe perguntei qual era o problema dela em chumbar quem o merecia, porque é que não o fazia, ao que ela me respondeu que "os professores não podem chumbar os alunos" e que uma negativa a português não é suficiente para o aluno reprovar, fosse eu quem mandava neste país, e todo o aluno com negativa chumbava na certa. diz ela que são ordens superiores, que é o ministério da educação que o ordena, que os alunos são burros, é preciso adaptar-se-lhes o ensino. eu disse-lhe que burros são todos os professores que se conformam com a situação e que continuam a ensinar sob a condição de não reprovar ninguém e de ainda serem culpados pelos chumbos dos alunos, pela sua estupidez, pela sua inutilidade, pela sua posição impertinente e dispensável ao mundo. nunca na minha vida eu me conformaria, nunca eu seria capaz de fazer parte deste ensino demente que faz de todos os idiotas doutores ridículos e imbecis e quem me dera ser um deus para poder punir todas as pessoas que tornaram isto possível, todos os ordinários que se sentam no ministério a aprovar leis ridículas e a formular opiniões ainda piores que permitem e apoiam a burrice dos alunos. sinto-me tão revoltada, sinto raiva dentro de mim, raiva deste mundo, no meu coração só reina a fúria e a vontade de fazer algo, de poder fazer algo. este mundo precisa de revoluções, de gente chateada, de gente inconformista, este mundo precisa de nós, jovens, e da nossa arte, do nosso sangue, da nossa ira, façamos de nós mais homens, morramos por aquilo em que acreditamos, lutemos pelo que está certo, precisamos de parar esta maneira de ver as coisas, vejamos mais longe, alcancemos algo novo, façamos desta sociedade algo melhor, ensinemos às pessoas novas perspectivas, ENSINEMOS, ENSINEMOS E APRENDAMOS até à morte.

(no dia em que me conformar com este mundo, com esta maneira de viver, com esta forma de escravatura e com esta onda de facilitismo presente em todo o lado, merecerei morrer, merecerei não pertencer mais esta raça porca e mal-cheirosa que é o homem e à qual me juntei por cair nas garras da aceitação, na vergonha da inconsciência. matem-me, se tal cegueira se apoderar de mim.)

narmy. às 22:13
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9 :
De C. a 18 de Março de 2012 às 22:45
Não se pode ser nem demasiado flexível como são, nem ser demasiado rígido. Uma pessoa por chumbar não significa que não seja útil à sociedade, não significa que seja estúpido como dizes. Há é que arranjar maneira de fazer esses alunos chegar a bom caminho. Talvez como se faz noutros países que é ter uma escola normal e ter outra escola "alternativa" dedicada a essas pessoas com mais dificuldades para os estudos. Não para facilitar a vida mas para encontrar algo em que sejam bons e aproveitar isso. Não podemos ser bons em tudo. Se sou boa a ciências não sei porque tenho de levar com a parte de humanidades, para a qual eu não estudava porque não gostava e tinha notas más.
Assim é que eu acho que deve ser.


De Daniela a 19 de Março de 2012 às 05:14
Não podia concordar mais. A culpa é dos professores, que se acostumam com o falhanço dos alunos, e baixam o patamar de exigência. E dos pais, que não incutem aos filhos, as regras básicas, o gosto pela leitura e pelo conhecimento.


De fugiu a 19 de Março de 2012 às 17:41
O problema é que ninguém quer ouvir.


De Beatriiz a 19 de Março de 2012 às 21:40
O problema é que muitos daqueles que dizes serem os jovens de hoje, os adultos do futuro são os mesmo que passaram sem mérito algum. É preciso criar um ensino que ensine e que não facilite o que já é só por si facilitado, é necessário um pulso firme que guie esta tempestade educacional que atravessamos.
Porém estes factos não são de hoje, têm vindo a ocorrer desde (quase) sempre para atingir as tão desejadas metas europeias e para quê? Gerar burrice absorve alguma riqueza?
Cria gente esperta, muito esperta, acumulam subsídios e subsídios ... Quando na realidade podiam bem contribuir para o crescimento do país, mas não, preferem viver à custa daqueles que um dia sonharam ter uma vida.


De dolcescrittora a 19 de Março de 2012 às 22:44
estava a ler o texto e a imaginar-te em cima de um carro a liderar uma revolução (principalmente nos últimos períodos do texto). Concordo - esta sociedade está cada vez pior, e as gerações mais novas cada vez mais a regredir. E é necessário atuar contra isso. Mas seremos suficientes?


De prettyface a 20 de Março de 2012 às 00:02
Não te conformes, nunca te conformes!
A facilidade é sempre o caminho mais fácil, pensar igual ao outro não dá trabalho, ser ignorante é ser-se feliz.
O problema são os outros (como tu e eu) os que têm opinião própria e vêem as coisas acontecer como se nada se passa-se, e sentimos forçosamente vontade de questionar!


De Mariella a 20 de Março de 2012 às 17:43
não sei onde estes políticos têm a cabeça, não sei mesmo.


De Judith* a 20 de Março de 2012 às 22:46
Concordo contigo. A solução está em mudar o que está mal no ensino, fazer com que os mesmos alunos \"burros\" deixem de o ser. Facilitar a vida aos mesmos, fazendo testes/provas/exames mais fáceis é simplesmente estúpido. Beijinhos *


De marlene cerm a 22 de Março de 2012 às 16:23
O ensino está deplorável, doente. Ainda há uns dias um dos meus explicadores comentou comigo que se roía por dentro, cada vez que entrava em salas do básico; gente no sexto ano a escrever daquela maneira, até eu que passei anos a fio sem professor de Português conseguiria, naquela altura, fazer melhor que aquele aborto da nossa língua. E depois nada de chumbar os alunos para não traumatizá-los, deixai-os fumar, faltar, serem rudes, mas nada de expulsá-los da escola, eles este ano têm que passar. Depois, no Secundário, a festa fica bonita, temos pessoas que não sabem interpretar um verso simples da Mensagem, temos gente que pensa que os heterónimos de Fernando Pessoa eram parentes dele, há os assassinos da literatura que ao fim de dois meses a compararem Os Lusíadas com a Mensagem, ainda pensam que ambas as obras foram escritas ou por Camões, ou por Fernando Pessoa, e, crime dos crimes, gente que confunde Saramago com Eça de Queirós. (Cingi-me pela disciplina de Português, por ser a mencionada no post, mas em Ciência, aparece-nos cada cientista após tanto facilitar, que faço como Aberto Caeiro que "ri como quem tem chorado muito." Já agora que o comentário vai longo, deixo este presente, talvez já o tenhas visto na Internet, mas de qualquer modo, eis os futuros engenheiros, advogados, médicos, por aí fora, deste país: http://www.amar-ela.com/respostas-comicas-de-exames)


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