positivonegativo

"nós somos o sítio que nos faz falta."

"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."


Álvaro de Campos

Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

das obsessões.

cada vez estou mais obsecada com a morte, e sinto-me morrer. estou num aperto constante, preocupo-me e não sei com o quê e choro a morte dos que ainda não morreram. pergunto-me se algum dia me deixarei chegar a velha. ser-se velho é tão triste. tento imaginar o que será de mim se perder toda a gente, ou se perder nem que seja só uma pessoa, e ando num sufoco o dia todo. temo que as pessoas morram e me assombrem depois. ainda tenho quatro avós e não sei por quanto tempo mais. estou mais obsecada do que nunca. não consigo parar de pensar neles e no depois... não sei porque é que sou assim e pergunto-me se a morte assombra as outras pessoas como me assombra a mim. até sonho com isso. nascer para ver os outros morrer e ir morrendo também é uma ideia com a qual não me conformo, mas sinto que tudo é assim. oh, vida, se tivesse tido voto, escolheria não ter nascido, e agora que cá estou não quero ir embora, mas também não quero ver os outros deixar-me...

 

(prometo que depois aceito e respondo aos comentários em atraso.)

narmy. às 21:36
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9 :
De Mariella a 2 de Julho de 2012 às 22:01
finalmente, alguém que me compreendo o sufoco que vivo.


De Teresa a 2 de Julho de 2012 às 23:09
este texto arrepiou-me!


De http://just-last-the-year.blogspot.pt a 3 de Julho de 2012 às 00:03
É por isto que não gosto nada de fazer anos. Quanto mais velha for, mais os outros estão perto da morte.


De marlene cerm a 3 de Julho de 2012 às 02:06
como percebo as obsessões que aqui mencionas. desde cedo lidei com a morte de próximos e, mesmo assim, ainda hoje me assombram. há tanto que ainda não percebo. e tenho medo de questionar. não quero ir, não quero ver os outros ir, mas isso é a única certeza que se tem, apenas falta o dia.


De dolcescrittora a 3 de Julho de 2012 às 02:18
também já tive uma fase parecida, mas via a morte como uma curiosidade de saber o que há para além, um desconhecimento que me descontrola. O segredo está em ocupar o tempo, e não pensar. Mas no verão temos o dia muito vago e acabamos por pensar em coisas que nos são estranhas.


De Inês a 3 de Julho de 2012 às 02:49
Uau, já passei por isso, à cerca de dois anos mais ou menos, é um pouco horrível, mas até nós faz crescer... As coisas vão melhorar, beijo*


De mel a 3 de Julho de 2012 às 18:53
também já andei nesse sufoco e a única coisa que me ajudou foi não pensar nesse ciclo. é difícil, mas é a única solução.


De Polaris a 3 de Julho de 2012 às 21:16
Eu durante uns tempos também andava obcecada com a morte. Acabei por concluir que não valia a pena pensar muito nisso, porque uma vez que estiveres morta não terás consciência que estás morta, ou seja, a luz apaga-se, não há forma de te preocupares mais, não há sequer forma de reflectires sobre como é estar morta. Quando acontecer aconteceu e não podes regredir, é a paz absoluta de que falam certos quotes.
Acho que essa é a melhor forma de encarares essa preocupação. Beijinhos


De Eva a 29 de Julho de 2012 às 18:25
à noite, choro baixinho pelo meu cão. e é certo que ele ainda não morreu


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